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A
Ergonomia e o Terciário
Autora: Dra.
Venétia Santos
Os limites da metodologia Ergonômica
Ao falarmos de metodologia ergonômica
consideraremos a Análise Ergonômica do Trabalho da ergonomia
francesa (Wisner, 1995; De Keyser, 1991; De Keyser et al., 1988
inpud in Marmaraz 2000) cujo ponto central é o estudo da interação
entre os operadores e o sistema de trabalho por meio das atividades
dos operadores, em todas a suas formas: física, mental, de comunicação,
etc. Analisando as atividades e considerando, ao mesmo tempo, as
características dos operadores observados e os elementos do ambiente
de trabalho e como eles são apresentados e percebidos pelos operadores,
podemos fazer emergir as causas que levaram ao desempenho degradado
e, partir disso, formular as modificações necessárias.
Esta metodologia ergonômica foi
bastante desenvolvida para abordar as questões do trabalho humano
nos ambientes de produção, sobretudo industrial. Os estudos
realizados no setor terciário vêm sendo desenvolvidos a partir dos
anos 80, de maneira a atender este crescimento.
Hoje segundo David e Huget, 70%
dos assalariados estão em contato com clientes.
As relações de serviços são
novos modos de cooperação que se estabelecem entre aqueles que oferecem
e demandam serviços, nos quais o cliente passa a ter uma forte
implicação, dada a importância das situações de contato entre
o cliente e o prestador.
O cliente desde o instante que formula
a demanda até o momento que obtém uma resposta ele orienta, e avalia
de maneira permanente a prestação do serviço, contribui ativamente
nas trocas de informação, e diretamente nas ações operacionais da
produção.
Em relação aos atendentes, segundo
o mesmo autor, mais da metade dos assalariados do terciário que
trabalham em contato direto com os clientes afirmam viver em situações
de tensão.
Segundo Falzon (1994) a economia
de serviços cobre todos os setores nos quais uma organização fornece
um serviço à um particular, à um grupo ou à uma organização. O
que é comum na situação de serviço é que o operador está em contato
direto com o usuário.
Segundo Lacoste (1998), as pesquisas
atuais no setor de serviços estão distantes de inúmeros discursos
sobre a satisfação dos usuários, a competitividade e a renovação
dos serviços públicos na França, para privilegiar a comunicação
entre o operador e o cliente. Tal abordagem situada privilegia
a linguagem, recurso maior de intercâmbio entre operadores
e clientes em suas cooperações e negociações.
Falzon (1994) acrescenta que para
a Ergonomia o trabalho ainda é o valor dominante, e o operador
o tema central, e seu modelo de referência são ainda a produção.
Esta centralização do operador,
ao detrimento do usuário, vem de uma visão na qual o objeto central
é o trabalho e ainda mais precisamente o assalariado não graduado.
A Ergonomia adotou inúmeras abordagens
para a análise de situações de serviço visando às ações de transformação.
Nas abordagens adotadas, o usuário é: completamente ausente considerado
como um elemento do ambiente, ou considerado como um parceiro na
situação de cooperação.
Segundo Falzon (1994) pode-se repreender
os estudos que consideram exclusivamente a saúde mental ou stress
dos operadores, ou exclusivamente os diálogos homem máquina.
Nas abordagens reducionistas, os
usuários são considerados em seus comportamentos físicos mais elementares.
Em outras abordagens o usuário é considerado como contribuinte
da realização da tarefa.
As abordagens nas quais o usuário
é visto como co-produtor, dentro de um trabalho cooperativo,
permite a apreensão mais exata da relação de serviço.
O mesmo autor define como relação
de serviço quando o operador está em contato direto com o usuário
e que ele trata ao menos de uma parte de sua necessidade.
A abordagem cooperativa considera
o usuário como um ator da situação. De acordo com Gradey
e Bandt (1994) a diferença entre produção industrial e de serviço,
é a passagem da produção à cooperação.
Falzon (1994 ) afirma que a Ergonomia
deve melhorar o conforto de quem trabalha e daqueles que são recepcionados.
A consideração do público e suas condições de recepção poderá contribuir
para a melhoria da imagem da prestação do serviço.
Este tipo de abordagem necessita:
- de uma pesquisa aprofundada para
identificar o que se passa com o trabalho, com a atividade, com
a mobilização pessoal e profissional nas relações;
-se interessar a organização de
trabalho, nas quais as manifestações de serviço são as mais aparentes.
Para melhor elucidar as questões
metodológicas, apresentaremos os estudos ergonômicos realizados
na área de serviço e bem como os resultados obtidos.
Alguns estudos realizados no
setor de serviço
A revisão bibliográfica apresentada
a seguir engloba os estudos que foram feitos na área de serviço,
que enfocaram os operadores como representantes da empresa,
e o cliente como usuário do serviço, relatando os desafios
da interação da empresa com o universo de uso.
Após a apresentação dos resultados
destes estudos, serão referenciados os estudos específicos realizados
nos Centros de Atendimentos telefônicos.
O operador como representante
da empresa
THEVENET (1998) em seus estudos
constatou a importância do atendimento físico (em agências) dos
organismos de serviço, em relação ao atendimento por telefone. Mesmo
as pessoas habituadas ao telefone, em certos assuntos, certas circunstâncias
desejam se ver e fazer a imagem do outro, negociar finamente.
Ou seja, "entender-se a meia
palavra" foge a eficácia própria da interação de co- presença.
Deve-se ressaltar a interação importante existente entre a fala/
comunicação corporal e cooperação instrumental.
A partir destes estudos, certos
pontos de pesquisa devem ser considerados na relação cliente/serviço.
A demanda inicial não é sempre
clara e ela evolui, deve-se traduzi-la e reformulá-la. Os mecanismos
de codificação, as variações nos regimes de ação e as palavras comunicacionais
são reveladas neste caso em toda sua plenitude.
Tanto para os funcionários quanto
para os usuários, as caracterizações recíprocas pesam sobre o curso
da interação, já que elas implicam nas competências, nas classes
sociais pertencentes, nos julgamentos da personalidade.
A articulação do encontro do
serviço com o resto da organização é um elemento de sucesso.
A relação do serviço ultrapassa a situação de contato direto agente
/cliente. Ela não pode se passar de uma reflexão sobre a gestão
e a organização do trabalho.
Segundo THEVENET (1998) com a relação
de serviço nós chegamos a uma situação de forte dependência em relação:
- ao operador, e a maneira que
ele quer e pode fazer de sua relação com o cliente uma interação
eficaz.
A relação com o cliente pode ser
descrita como, o fato de estar em primeira linha, em situação de
não controle do que se passa. O agente não pode fazer tudo e
não pode, nem deve, responder todas as solicitações do cliente.
O operador pode até mesmo, ter medo
diante do cliente, por se imaginar incapaz de assumir com sucesso
uma relação. Isto é particularmente verdadeiro quando o agente
não se sente em controle total face o cliente, porque sua prestação
de serviço não depende unicamente dele.
Por emboscada o agente deve ser
o representante da empresa, logo agir de acordo com os objetivos.
ALIS (1998) mostrou que o agente
pode se encontrar em conflito, entre a expectativa da empresa no
que concerne seu papel na identificação dos problemas colocados
pelo cliente.
Os agentes em contato com o cliente
têm uma grande liberdade no exercício de sua atividade. Cada vez
mais eles são confrontados com situações imprevisíveis para as quais
devem imaginar respostas apropriadas.
Para responder a demanda o assalariado
deve mobilizar na situação um certo número de conhecimentos que
constituem todos os quadros de referência:
- Conhecimentos do sistema de produção do serviço
dado e a organização da empresa, conhecimentos do ambiente da
empresa
- Conhecimentos das estratégias da empresa
- Conhecimentos dos clientes
- Conhecimentos pedagógicos
- Conhecimentos psicológicos e sociais
Tomar decisões não fundamentadas
nos elementos sobre os quais domina, é fonte de carga psíquica,
sobretudo se os impactos desta decisão são vitais para o cliente
e a empresa.
Para o sucesso do atendimento é
necessário garantir boas condições de interação entre o atendente-cliente.
Mostraremos a seguir estudos que abordaram este tema a partir do
cliente.
O cliente como usuário do serviço
De acordo com David e Huget (1998)
existe uma distância entre as necessidades dos clientes e aquelas
que emergem da coordenação entre o cliente e assalariado. Dois tipos
de necessidades aparecem:
a) as necessidades escondidas
atrás da expressão da demanda. A primeira demanda não é clara
nem precisa. Ela necessita da parte do assalariado uma análise,
uma reformulação do tempo real, como já mencionamos, para chegar
a descobrir a necessidade do cliente escondida atrás da expressão
da demanda. (Galet, apud David e Huget, 1998)
O trabalho de reconstrução da
demanda é sempre subestimado pelas empresas. Ele é uma fonte
de stress para o cliente, pois implica sua exposição ao olhar de
seu interlocutor. As necessidades de aprendizagem dos
clientes, relacionadas à sua contribuição na realização da prestação
do serviço, são também negligenciadas.
b) as necessidades de aprendizagem
do processo de produção:
O cliente deve aprender:
- Um vocabulário especializado;
- À como utilizar as ferramentas colocadas à
disposição segundo as modalidades de funcionamento da prestação,
- A ação esperada de sua parte na realização
da prestação,
- A ter um comportamento social em função das
situações e das circunstâncias.
As necessidades de aprendizagem
variam de acordo com os indivíduos, em função de sua capacidade,
da importância da distância de suas competências e os pontos de
referência iniciais, de sua habilidade ou não, dos recursos táticos,
e enfim, do grau de fidelização.
As explicações oferecidas a um passageiro,
por exemplo, que toma um avião pela primeira vez não são as mesmas
para os usuários habituados a o fazerem.
As necessidades de aprendizado são
proporcionais ao grau de complexidade que a prestação representa
para ele.
Uma parte da atividade do assalariado
em contato com o cliente consiste (David, 1998):
- em identificar as necessidades de aprendizagem
do cliente, apreciar a oportunidade desta aprendizagem, lhe transmitir
um certo número de informações para que ele possa cumprir as ações
que ele deverá executar ao longo da prestação; ser conduzir, formar,
justificar, explicar, para que ele compartilhe o diagnóstico,
a solução encontrada, e as modalidades de prestações fornecidas;
avaliar sancionar em certos casos as ações realizadas pelos clientes.
Em efeito, a gestão insuficiente
da aprendizagem dos clientes pode trazer custos à mais aos resultados
econômicos da empresa. Em inúmeros casos, a gestão insuficiente
incluindo em termos de relações comerciais, chegam a situações de
conflito entre o cliente e o prestador de serviço, cada um rejeitando
sobre o outro, a responsabilidade dos disfuncionamentos encontrados
no processo de ajuste para atingir os resultados antecipados.
Por outro lado a empresa tem constrangimentos
técnicos ou organizacionais que não a permite sempre responder no
sentido esperado pelo cliente ( Galet e David 1997).
Uma parte da atividade do assalariado
consistirá em encontrar o bom compromisso entre as lógicas e constrangimentos
diversos, à negociar a resposta mais satisfatória para o cliente
e para empresa.
A elaboração deste compromisso é
fonte de carga física e mental, já que o assalariado é confrontado
a uma ausência de margens de manobras para ajustar a oferta à demanda.
A oferta é standard e muito rígida.
Não é possível modificar nem seu conteúdo, nem as modalidades colocadas
em oferta. Ela torna mais complexa a aprendizagem do cliente, e
aumenta a duração da troca que está relacionada à ela.
Para entendermos melhor as questões
acima tratadas invocaremos o estudo fino da cooperação no setor
de serviço apontando também os estudos sobre linguagem.
O estudo da cooperação e as interações
no setor de serviços
O termo da relação de serviço recobre
uma pluralidade de situações, de interações diversas.
Segundo GRADREY e BANDT (1994) a
cooperação se exerce em todas as fases dos serviços. A cooperação
diz respeito à concepção, a realização, ao controle e a avaliação
da realidade, sendo objeto de uma demanda à qual responde os prestadores.
Segundo Borzeix e Gardin (1992)
qualidade da interação tem relação com as formas de participação
das pessoas .
Segundo Lacoste (1996) a interação
ultrapassa a linguagem, pois os encontros face a face são elaborados
pelo espaço, pela disposição respectiva das pessoas, pela distância
pela a orientação do corpo, olhares, intenção do outro, gestos,
mímicas, e pelo conjunto dos comportamentos expressivos.
O emprego corporal, a expressão
das emoções são revertidas com toda força. A intoação e as mímicas
são de referências para interpretar as intenções e os sentimentos
do outro. Estas referências alimentam as situações e as interpretações
recíprocas necessárias ao desenvolvimento das trocas.
Existem várias leituras da interação:
- modelo etnometodológico:
que coloca em questão a inteligibilidade mutua e a coordenação
da ação. A questão que se coloca é como dois parceiros conseguem
se ajustar um ao outro no momento da interação e como a ação comum
é possível. Estas questões convidam a análise dos atos, dos índices
visuais, vocais, e da linguagem, que asseguram a cooperação.
- modelo Golfmaniano: A linguagem
traduz a preservação ou a afirmação das faces de cada um dos parceiros
e a gestão de territórios respectivos.
A interação aparece assim como submetida
a definições e a interpretações múltiplas e as vezes conflitantes,
à partir de requadramentos que transformam o sentido que os autores
as dão. Explicar, reconstituir os fatos, compreender as causas,
achar as soluções demandam comportamentos verbais complexos. O discurso
agrupa diferentes dimensões da linguagem: dimensão cognitiva, dimensão
afetiva, dimensão dramatúrgica, dimensão normativa.
Segundo Gradrey e Bandt ( 1994)
deve-se considerar o envolvimento necessário as interações que podem
se caracterizar:
- pela sua natureza
- pela sua intensidade
Uma relação de serviço, segundo
os mesmos autores, coloca face a face durante uma duração de fechamentos
claros, duas pessoas um usuário e um agente de serviço, envolvidos
em uma interação finalizada .Uma troca finalizada é uma interação.
A interação requer envolvimentos
específicos (saudações, civilidade, questões face aos fechamentos,
envolvimentos contraditórios), dificilmente compatíveis com a finalidade
da interação. Acontece que a ordem da interação prevalece sobre
a finalidade.
A qualidade da interação é
uma característica do serviço prestado, uma componente essencial
do efeito produzido.
O autor menciona algumas características
da interação prestadora/ cliente.
a) A interação é raramente dual
(um simples face a face)
As interações nas agências são públicas
(a fila, uma orelha que perambula para dar um conselho). O empregado
é membro da organização. A organização o colocou lá para agir segundo
normas precisas, ele pode se identificar com o serviço ou ele pode
ao contrário ser incitado a se desolidarizar, ou ainda pode funcionar
como um verdadeiro intermediário. O operador pode se desolidarizar
mais ou menos explicitamente em relação a organização, ao invés
de lhe propor uma aliança .
A finalidade da interação do
atendimento é uma construção complexa. O estabelecimento da
finalidade (que não é sempre explicita) pode ser na realidade uma
produção de uma interação:
- o usuário não formula a finalidade
em termos reconhecíveis diretamente pelo empregado ( sua cultura
não lhe permite), ou as regras da interação o levam à retardar esta
formulação.
- a solicitação do usuário uma vez
elucidada, pode não corresponder aquilo que é normal e lícito demandar
ao empregado.
- a solicitação pode ser opaca,
difusa e a organização deverá enquadrar sua intervenção em termos
compatíveis com a missão.
a finalidade pode evoluir ao longo
da interação. O usuário vem pagar uma fatura e parte, tendo optado
pelo pagamento mensal de dinheiro tendo, e se aproveitou da interação
para realizar outra de suas missões: desenvolver o modo de pagamento.
Faita (1992) mostra a dificuldade
que os agentes tem de assumir a função (controle) e a missão (comercial).
Dartevelle (1992 ) mostra a dificuldade da brigada de polícia que
tenta reconciliar o trabalho social e as regras de urgência.
A finalidade, no sentido restrito
do termo, pode enfim estar ausente: é o caso do apelo para a protestação.
A interação constitui por ela mesma uma reparação.
Estes estudos mostram que existe
uma certa opacidade e uma grande variação da parte dos usuários
sobre o que eles podem obter, ou exigir do serviço público.
O usuário pode partir agradecendo calorosamente, estando perplexo
com o problema resolvido, ou repartir sem ter obtido a reparação
que ele esperava.
b) A intensidade do envolvimento
é uma construção. Todo envolvimento de um participante tem uma
intensidade que é objeto de uma avaliação pelo outro.
Uma intensidade muito forte pode
provocar uma reação de desconfiança. Grosjean ( 1998 ) mostrou como
a intonação em pé e a energia são recursos preciosos para apoiar,
temperar ou subverter os enunciados.
c) A necessidade de finalização
de atendimento, perante o controle do tempo de interação
O envolvimento dos operadores tem
uma dimensão temporal que deve-se controlar. O operador deve saber
sair da interação para passar à outras tarefas. Alguns estudos
privilegiaram as verbalizações e a linguagem em situações de interação.
Nos estudos de atividades complexas,
como no diagnóstico a distância (SAMU), a verbalização representou
uma arte de interrogar e guiar a interação, de escolher a estratégia
em função do interlocutor e da situação de grande eficiência funcional.
Também o estudo da linguagem na
construção de relações sociais quotidianas foi elucidado pelas correntes
de pesquisa em Ergonomia, que ultrapassaram a lingüística no quadro
puramente formal para enraizar na vida social.
Três eixos são analisados a partir
destes estudos:
- O caráter interacional:
a linguagem é analisada em seu valor contextual e interativo no
seio de troca entre os parceiros
- O caráter social: a linguagem
é considerada como instaurador entre os locutores as relações de
identidade, de lugar de oposição através de palavras, formas, argumentos,
valores e conotações.
- O caráter pragmático:
a linguagem aparece como um recurso e um vetor de ação
Foram estudadas as atitudes (distância,
cordialidade, simpatia) e seus efeitos foram identificados nas palavras,
nos gestos e nas mímicas.
A linguagem é ainda modalidade de
reflexão sobre a ação, ela representa o principal recurso reflexivo
para analisar as situações, a avaliar, a compará-las, a justificá-las
e a recuperá-las. Os processos da linguagem se desenvolvem em situações
de interação.
Inúmeros estudos abordaram as interações
via telefone, e serão apresentados à seguir , mostrando as características
próprias desta atividade .
Em relação ao uso propriamente
dito pelas pessoas
Em relação ao uso propriamente dito,
tomaremos também como referência os estudos sobre inovação dos produtos
pelos usuários, considerando os estudos de Von Hippel, Akrich que
mostram a intervenção destes sobre os produtos já constituídos.
Von Hippel (1976) mostrou que os
usuários são verdadeiros atores da inovação, quando confrontados
a um problema experimental, eles são obrigados a conceber instrumentos
para resolvê-lo.
AKRICH (1998 ) mostrou que os usuários
podem ser mais ativos do que se tinha sugerido, e tomar uma parte
importante na definição das funcionalidades de um dispositivo ou
produto, mas também na escolha de técnicas que determinem a fisionomia
definitiva.
Ele distingue quatro formas de intervenção
dos usuários sobre os dispositivos já constituídos segundo:
- e o uso prescrito ( deslocamento, adaptação,
extensão e redirecionamento)
No deslocamento: trata-se de explorar
a flexibilidade relativa aos dispositivos. Esta flexibilidade esta
relacionada ao fato que os projetistas produzem ao mesmo tempo que
seus dispositivos, os cenários com os usos possíveis. EX.: fazer
da mamadeira um copo, fazer o secador de cabelo acelerar a secagem
de uma roupa. .As empresas podem jogar com estes deslocamentos
e incorporá-los no projeto.
Os usuários encontram outras funções
no produto que são incorporadas pela empresa. A retomada pelo mercado
destes deslocamentos é suceptível de alcançar uma automação de um
novo produto, ou a colocação de diferentes produtos.
Adaptação-Trata-se de introduzir
algumas modificações nos dispositivos que permitem ajustá-los as
características do usuário e seu ambiente sem mexer na sua função
inicial. Ex.: Melhorar as pegas de uma ferramenta. As adaptações
são necessárias quando o ambiente previsto não corresponde aoo ambiente
real ( transferência de tecnologia). Necessidade de ajustes locais.
A extensão Quando
introduzimos vários elementos que permitem enriquecer a lista de
funções.
Ex.: Colocar sacos plásticos nas
empunhadeiras de carrinhos de crianças, quando os fabricantes colocam
redes que se conectam a estas facilmente.
Em relação aos softwares estudados,
verificou-se que em programa muito fechados os operadores encontram
um meio de abri-los e de compreendê-los, de uma maneira que modificam
muito suas capacidades globais, tornando-o susceptível por ele mesmo
de transformar a sua inserção numa organização , que ela mesmo contribuiu
para redefini-lo.
A variabilidades de uso é dada em
parte pelas diferenças nas organizações, que acompanham a utilização
do software. Eles fizeram um trabalho de reintegração de um programa
com outros programas. Eles previram outros indicadores que poderiam
ser programáveis para o trabalho policial. Estas diferentes extensões
circularam e elas foram integradas nas versões posteriores do programa.
Redirecionamento. Um dispositivo
é redirecionado quando o usuário o utiliza com um propósito que
não tem nada a ver com o cenário previsto no início pelo projetista,
e ainda aniquila toda a possibilidade de retorno ao uso precedente.
Ex.: A utilização de páginas amarelas como apoio de pé nos escritórios.
Segundo Madruga ( 1999 ) grandes
empresas prosperaram graças a remodelagem de seu produto,
originada da própria manisfestação do Cliente, via telefone.
Ele aponta os Tele-atendimentos no setor bancário. Os bancos acabaram
por entender, a partir da sinalização dos clientes que o produto
final não é a formação diária de uma fila, mas sim realizar serviços
financeiros ofertados e acessados rapidamente pelo usuário.
Segundo o autor podemos concluir
que ouvir atentamente o cliente, transformar seus problemas em soluções
imediatas não depende exclusivamente do serviço prestado. A excelência
do atendimento inicia quando toda a organização prioriza a satisfação
dos clientes externos e internos.
Woods ( 1996) Bridging... mostrou
o impacto da nova tecnologia nos usuários.Segundo o autor o uso
da tecnologia pode criar um fardo:
- Ao invés de liberar recursos ( frieng up),
o mau uso cria novos tipos de trabalho cognitivo;
- Ao invés de Soulager tarefas cria-se necessidade
de trabalho em equipe, coordenação e intenção de comunicação
com pessoas;
- Ao invés de focar com atenção o uso, ela desvia
atenção ao trabalho com a interface;
- Ao invés de ajudar usuários, flexibilizações
genéricas, criam novas demandas e erros humanos;
- Ao invés de reduzir erros tecnológicos, desajeitada
contem faltas em relação ao ponto de vista da cooperação homem/
computador;
- A o invés de reduzir os requisitos de conhecimento
da demanda, mais difícl e skills.
Trata-se de uma visão pobre do design
centrado no uso. Estes sistemas foram desenhados por pessoas que
tencionam ajudar o uso pela população.
Existe uma distância entre interações
do design para fazer ser centrado no usuário e a prática atual,
que resulta em sistemas centrados na tecnologia.
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